A única coisa que o conservador realmente conserva é a dor - a dor dos outros, é claro.
Dentre os vários sentidos da palavra "conservação", destaca-se a ideia de preservação, abrigo, estabilidade, manter em bom estado, preservação contra dano - que ironia significante... Nesse sentido, o emprego da palavra 'conservador' para designar as figuras que conhecemos como tais (por intermédio da história social e das suas ações políticas) é um abuso semântico.
O que os 'conservadores' concretizam, na prática, de forma especialmente aguda e obtusa em nosso país, é o ataque ao trabalho humano de criação artística, intelectual, cultural; a extinção do contraditório; a supressão de possibilidades diversas de realização da vida humana; a manutenção da produção destrutiva do capital e a negação de toda possibilidade de emancipação política e humana.
Os conservadores realizam, contraditoriamente, somente os antônimos da palavra 'conservação'. A correção desse abuso semântico é uma urgência. Afinal, como nos lembra Mário Maestri, “A língua é um espaço da luta de classes”. Logo, não se pode conservar, no bom sentido da palavra, os conservadores aí como estão, no campo de batalha da luta de classes, se multiplicando e se fortalecendo nos seus ofícios de alienação do ser social, de destruição da vida e de 'conservação' da dor - dos outros, é claro...
Alexandre MT de Carvalho
publicado em https://www.circulodegiz.org/post/conservador
Um comentário:
Questão muito interessante!
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