PROJETO DE PESQUISA 2021
PSICANÁLISE E NEUROCIÊNCIA: CONEXÕES E DISJUNÇÕES EPISTEMOLÓGICAS E
DEBATE RECENTE NO BRASIL
GRUPO DE PESQUISA: Ciências Humanas, Saúde e Sociedade
PROFESSOR RESPONSÁVEL: Alexandre Magno
Teixeira de Carvalho
ÁREA DE CONHECIMENTO: Psicanálise / Saúde Coletiva
EQUIPE ENVOLVIDA: Leopoldo Guilherme Pio
(docente, UNIRIO/Departamento de Saúde Coletiva, mat. 3065880); Lizete Quelha
de Souza (docente, UNIRIO/Departamento de Saúde Coletiva, mat. 435085); Irene
Correa de Paula Sayão Cardozo (docente, UFF/ Departamento de Letras Estrangeiras Modernas); Adélia Lima das Neves (discente,
UNIRIO/Medicina, mat. 20142130076); Eduarda Ariel Nascimento de Souza (discente,
UNIRIO/Nutrição, mat. 20152141041); Joyce Emilly de Souza Oliveira (discente, UNIRIO/Medicina, mat.20181130106); Killian dos
Reis Guimarães (discente, UNIRIO/Medicina, mat. 20162130062); Maria
Fernanda von Kouh Quintal (discente, UNIRIO/Medicina, mat. 20172130071).
RESUMO:
Projeto de caráter teórico conceitual e de viés histórico epistemológico crítico acerca da problemática da relação da psicanálise com a neurociência, com vistas a estudar e evidenciar conexões e disjunções epistemológicas que, não obstante divergências explícitas, entrelaçam essas duas formações discursivas (campos de saber) ao longo do tempo. Inclui estudo de revisão e sistematização, visando a organização de dados e de categorias analíticas. Neste projeto, reconhece-se a psicanálise como “região” na ciência da história e na história das ciências. Considera-se que o advento da psicanálise e, sobretudo, a emergência do seu conceito-chave, o Inconsciente, promoveu uma ruptura epistemológica no campo da psiquiatria e no campo da psicologia na aurora do século XX, mas que há, igualmente, uma relação inelidível, marcada por encontros e confrontos, entre esses diferentes campos. A influência epistemológica da psicanálise na psicologia foi inconteste e profunda – e permanece. Nas primeiras décadas do século XX, processo semelhante se deu na psiquiatria: cite-se, por exemplo, a presença da psicanálise nas duas primeiras edições do DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). Contudo, o rápido desenvolvimento da indústria de psicofármacos na década de 1950 (pós-Guerra) contribui para deslocar a psicanálise do lugar central que ocupava no campo da psiquiatria. O desenvolvimento de novas técnicas de mapeamento de atividade cerebral em tempo real (notadamente a tomografia por emissão de pósitrons, sigla PET, em inglês) no final da década de 1970 deu um novo impulso às pesquisas do sistema nervoso central e de aspectos cognitivos e comportamentais. O termo ‘neurociência’ vem daí e designa um campo de estudos e pesquisas que abrange estudos de neuroanatomia, neurofisiologia, neurociência comportamental, cognitiva e neuropsicologia. No início da década de 1980, o incremento da pesquisa neurocientífica associado à ampliação do arsenal psicofarmacológico representou um golpe de força epistemológico que assentou em lugar privilegiado a vertente behaviorista, notadamente na sua forma de terapia cognitivo-comportamental (TCC). Artigos abundaram apontando essa nova ‘parceria’ entre neurociência, medicamentos psicoativos e psicoterapia. Entretanto, apesar do problema da incomensurabilidade metodológica entre psicanálise e neurociência, estudos recentes sobre memória e mecanismos de repressão mnemônica fizeram com que alguns neurocientistas voltassem o olhar para a psicanálise e defendessem o diálogo interdisciplinar (o que se evidenciou na produção de matérias e artigos no início da primeira década do século XXI) - embora se reconheça e afirme, de ambas as partes, a independência epistemológica entre os dois campos de saber. Por meio de pesquisa de revisão bibliográfica, pretende-se estudar mais profundamente essa evolução e mapear o debate atual no Brasil, demarcando o que aproxima e o que separa os dois campos. Há a expectativa de que esse projeto se torne uma investigação continuada, com o propósito de acompanhar transformações discursivas e epistemológicas expressas na produção acadêmica nacional corrente.
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