terça-feira, 10 de julho de 2018

Na Europa, o escracho a Neymar continua...

Mas o Neymar, para eles, colonizadores e detentores do capital, nada mais é do que uma matéria prima que foi extraída de um país periférico e foi transformada em mercadoria de luxo, de alto rendimento para grandes empresas que exploram sua imagem e força de trabalho. 
São uns hipócritas: produzem [reduzem] o ser humano [se for oriundo de país periférico ou semi-periférico, melhor] como 'coisa' e depois, debochadamente, criticam o seu comportamento, exigem dele 'maioridade', maturidade, honestidade e dignidade - como se um sistema que aliena, reifica e explora fosse 'digno', 'honesto' e 'humanamente maduro'. 
É claro que Neymar e família embarcaram nessa 'numa boa', imaginam que estão 'levando vantagem' - afinal, conseguir sair de um lugar humilde em Santos para a riqueza da Europa é para poucos... Não percebem, tal qual a maioria dos brasileiros, que o processo de alienação e reificação do humano cobra um preço muito caro, seja espoliando a força de trabalho e produzindo a miséria em larga escala, seja desgraçando a subjetividade e destruindo a formação humana. 
Mas isso é bomba-relógio: em algum momento o sujeito Neymar entrará em forte crise. Arrisco até dizer que talvez já esteja, apesar da sua 'contraditória' conta bancária. 
Muitos dirão: 'crise com esse patrimônio financeiro eu queria'; 'quer trocar, Neymar?' 
Pois é, aí eu perguntaria a esses 'muitos', que são tantos: - Crianças, até quando desejareis isso? Quando ireis acordar do vosso sonho enganador? Até quando correreis na esteira para chegardes a lugar nenhum?
Com profundo pesar [e uma dose de 'justa ira' freiriana] noto que falam exaustivamente do 'comportamento' do Neymar em TODOS os media, em todas as redes, em TODOS os programas jornalísticos e esportivos brasileiros e que reproduzem e repetem memes até a saturação, que gargalham ou fazem caras de sérios, mas que NINGUÉM levanta as questões cruciais, as que realmente importam, as que poderiam, democraticamente, ajudar a construir um mundo um pouco melhor. Contudo, não me surpreendo: é assim que se promove a imbecilização e um certo voluntarismo servil. Inspirado pelo blog 'Pílulas Diárias', de Sérgio Domingues, eu diria, evocando João Saldanha: "Vida que segue!". Mas não sem citar Caio Prado Jr, deveras oportuno para pensar o tema:
“No seu conjunto, e vista no plano mundial e internacional, a colonização dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa comercial (...) É este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, tanto no econômico como no social, da formação e evolução históricas dos trópicos americanos (...) Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamantes, depois, algodão e, em seguida, café para o comércio europeu. Nada mais do que isso”  

2 comentários:

Pílulas disse...

Perfeito, Alexandre. "Desgraçando a subjetividade". É disso que se trata, afinal, e acima de tudo. Também muito pertinente a citação de Prado Jr. Só precisaria atualizar acrescentando soja, ferro, milho etc. E fico muito honrado por citar meu blog. Grande Abraço!

Alexandre M T de Carvalho disse...

Prado Jr concordaria contigo: o país das "commodities". Novos nomes, novos desenhos, exploração aprofundada. Seu blog muito nos honra, alimenta, fortalece. Leitura indispensável! Abração!

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